sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Marcio Miguel, porque eu não vi você nascer!


O parto do meu filho aconteceu exatamente na data programada, 17/02/2023, mas não do jeito que havia sido programado.

As contrações começaram de manhã e nos dirigimos tranquilos para o hospital. Os primeiros exames feitos pela enfermeira chefe indicaram que o bebê estava bem e que nasceria nas próximas horas por parto normal, pois já havia uma dilatação suficiente do colo uterino.

Assim, igualmente tranquilo, eu desci para o saguão do hospital para deixar a Laura com os nossos amigos, Gisele e Júnior, que iriam ficar com ela. Fiquei por lá por minutos, sem sequer imaginar o que poderia estar acontecendo no terceiro andar, sem imaginar que ao voltar pra ala de obstetrícia eu já encontraria o meu bebê recém nascido, sem imaginar que levaria um dos maiores sustos da minha vida. 

Assim que deixei a Samara no quarto, a enfermeira auscultou o coraçãozinho dele e suspeitou que havia algumas oscilações de batimentos cardíacos. E ao conectar os aparelhos de monitoramento, confirmou-se que essas oscilações estavam acontecendo, atingindo ritmo cada vez mais baixo, até que tendeu a zero e passou a não mais oscilar para cima, indicando um grave risco de o bebê vir a óbito no útero, em minutos. 

Os sintomas indicavam a ocorrência de um "prolapso do cordão umbilical", um estrangulamento do cordão por compressão, com bloqueio do fluxo de nutrientes e oxigênio! A cabeça do bebê, ao se encaixar para sair, estava comprimindo o cordão, que por algum motivo, estava na frente. 

Trata-se de um evento raro, que estatisticamente acontece uma vez a cada mil partos e dentre esses raros casos, a grande maioria dos bebês vêm a óbito ou ficam com sequelas neurológicas severas.

Imediatamente a enfermeira acionou a emergência pelo rádio, narrando repetidamente a situação. A Samara, em pânico, perguntava o que estava acontecendo, mas ela apenas pedia "calma", "vai ficar tudo bem" e continuava falando rapidamente pelo rádio, ao mesmo tempo que colocavam a Samara na maca e saíam correndo acelerados rumo à sala de cirurgia.

Em instantes, começou a entrar vários profissionais, uns empurrando e instalando equipamentos móveis, outros ainda abotoando os paramentos e todos falando muito e rapidamente, até que o chefe da equipe de anestesia a abordou, com muita maestria, e comunicou que dariam início a uma cirurgia cesariana de emergência. 

Este foi o cenário até onde a Samara acompanhou, antes de ser sedada. Mas soubemos que após a anestesia, uma série de procedimentos e manobras técnicas foi realizada, felizmente todas com pleno êxito, pelas mãos de cerca de 12 profesionais, entre Médicos, Enfermeiros e pessoal de apoio técnico.

Desde o momento que foi constatada a ocorrência, até a retirada e os primeiros cuidados ao bebê, transcorreu-se apenas 8 minutos, conforme mostra o relatório do hospital. Entre o rompimento mecânico da bolsa de líquido amniótico e a retirada segura do bebê, foram cinco minutos (o tempo máximo para esse tipo de procedimento, para que o bebê não sofra danos por falta de nutrientes e de oxigênio é 6 minutos). 

Ou seja, a equipe do hospital se mobilizou e realizou todos os procedimentos exigidos pelos protocolos desse tipo de situação rara, no tempo mínimo, mesmo tendo sido essa a primeira vez que aconteceu naquele hospital e mesmo tendo sido a primeira experiência prática dessa natureza para todos os profissionais envolvidos naquele episódio.

Em 74 anos de existência do maior hospital do gênero da Flórida, fomos justamente nós os protagonistas da primeira ocorrência desse tipo de situação de emergência. Contudo, por uma graça de Deus e pela competência daqueles profissionais, no final, tudo saiu bem. 

Embora nenhum dos profissionais tivesse tido experiência anterior com esse tipo de ocorrência, o hospital já havia promovido treinamentos específicos para a eventualidade de vir a acontecer. Por isso, essa fantástica mobilização e a precisão das ações de cada um dos médicos e enfermeiros naquele momento.

Depois de toda essa movimentação, nós apenas celebramos e agradecemos a Deus por ambos terem saído bem! Mas só nos demos conta da gravidade do problema, quando a equipe técnica do hospital promoveu uma reunião, logo em seguida, para avaliar o episódio e nos comunicou os detalhes.

Como parte dessa reunião de avaliação promovida pelo Hospital, a Samara foi visitada no quarto por cada uma das equipes de especialização, cada qual descrevendo o procedimento realizado e ouvindo dela as suas percepções.

Depois de todo o trauma e do susto, o Marcio Miguel teve apenas que permanecer três dias em observação no hospital, passando por uma severa bateria de exames e acompanhamento para averiguar eventuais riscos de danos decorrentes do parto traumático, mas que, ao final não indicou nenhuma única suspeita. Ele acabou tendo alta um dia antes do previsto e nós o trouxemos pra casa, como se ele tivesse acabado de nascer.

Agora, só nos resta agradecer a Deus pela graça de termos recebido esse bebê tão lindo e tão esperto para completar a nossa família.

Veja abaixo o vídeo de quando o buscamos no Hospital.


Ou clique aqui para ver o vídeo de quando o buscamos no hospital. 

Agradecimentos especiais

Doutor Maximiliano Mayrink, Diretor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Mount Sinai, Miami Beach - Florida.

Doutor Christopher Bauer, Diretor da equipe de anestesia do Hospital Mount Sinai, Miami Beach - Florida.

Doutor Jose Adams, Diretor Departamento de Neonatologia do hospital Mount Sinai, Miami - Flórida.

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Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Informática, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, Diplomado da Escola Superior de Guerra, M∴M∴, Escritor, Músico Amador, Meio-Maratonista, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia.

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