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| Professora Joaninha Costa |
Como até então eu tinha vivido na roça, não frequentei pré primário e nunca tinha tido qualquer experiência parecida. Por isso, o ambiente da sala de aula me era absolutamente estranho!
Sem contar que eu era (e ainda sou) muito tímido! Morria de vergonha e de medo de conversar com as pessoas, pois achava que todo mundo da cidade era muito bacana e tudo era chique demais; os colegas de sala, pra mim, eram todos muito "sabidos" e importantes 😀, os professores e funcionários da escola, então, nem se fala...
Minha primeira escola foi o Grupo Escolar Henriqueta Cassimiro de Menezes, em Carmo do Paranaíba, uma construção de chapas de metal pintadas de verde, que as pessoas chamavam de "grupo de lata" e, na sala, os alunos sentavam-se em carteiras duplas, dois a dois.
No primeiro dia, o Aluízio, meu irmão, me levou e me deixou na sala de aula, sem o caderno e sem o lápis. Enquanto ele saiu para comprar essas coisas, eu fiquei à beira do pânico, pois era o único que ainda não tinha nenhum objeto, nem pasta escolar.
Apesar da sensação de hostilidade no começo, os dias se passaram e a gentileza, a simpatia e a beleza da professora começaram a me encantar! Logo eu já estava me sentindo à vontade, arranjando amigos e adorando a escola.
Entretanto, pouco tempo depois, talvez algumas semanas - não me lembro bem, do nada, a diretora entrou na sala, apresentando outra moça, que seria a nossa nova professora!
Eu fiquei inconformado! Naquele dia, voltei pra casa numa tristeza danada, desconsolado! Os dias seguintes na escola foram desanimadores. Me lembro que a Dalca, minha irmã, que também era educadora, tentava me consolar, dizendo que a outra professora também era tão boa quanto a anterior e que também era bonita. Mas não me convencia!...
Eu devo ter levado um bom tempo para me acostumar com a nova professora, mas nunca me esqueci da primeira! Nunca esqueci seu nome, como também nunca me esqueci da sua fisionomia, da sua simpatia e do seu jeitinho gentil.
O tempo passou e eu segui meu destino; aos 15 anos fui pra Belo Horizonte estudar e nunca mais voltei a morar na cidade. Porém, sempre que havia alguma oportunidade, perguntava por lá, entre familiares e amigos, se não sabiam quem havia sido aquela minha primeira professora, mas infelizmente, ninguém me dava uma referência certa!
É que quando ela saiu do Grupo Escolar Henriqueta, alguém me disse que ela teria se mudado para outra cidade. Talvez por causa dessa informação, as pessoas não conseguiam identificar de quem se tratava, acreditando que ela não tivesse preservado vínculos com a cidade.
Assim, lá se foram quase 60 anos!...
E há poucas semanas atrás, fui incluído num grupo de WhatsApp de conterrâneos com centenas de pessoas e, um certo dia, me surpreendi com um verdadeiro festival de cumprimentos, elogios e comentários exaltando as virtudes e a simpatia de uma pessoa que fazia aniversário naquela data!
Tanto apreço, tanta admiração e a demonstração do quanto ela era querida por tantas pessoas, me deixou impressionado e o seu nome fez suspeitar:
- Será que não seria a minha professora?
Procurei saber por meio do meu amigo Daniel, se por acaso ela teria dado aulas naquele certo ano na Escola Henriqueta Cassimiro de Menezes.
E o meu amigo confirmou! De fato, ela tinha iniciado a carreira como professora, justamente naquele Grupo Escolar e naquele mesmo ano em que eu entrei na escola. E mais, ela confirmou que realmente deu aulas por algumas poucas semanas e foi transferida para uma outra escola.
Então, não restava dúvida! Era ela, a minha querida primeira professora Joaninha! Fiquei muito feliz e emocionado por saber que era ela e por constatar que era tão estimada, não só por mim!
Finalmente, eu havia identificado essa pessoa tão especial, cujas lembranças tão bonitas e marcantes eu trazia preservadas na memória ao longo desses anos todos!
Depois disso, revendo as fotos atuais dela postadas no grupo, a achei muito bonita e confesso que a simpatia e a meiguice daquelas imagens me sensibilizaram e parece que resgataram na memória a afeição de criança que eu tinha sentido por ela há tantos anos, como minha professora!
...
À minha querida professora Joaninha,
Professora Joaninha
Eu não podia deixar de compartilhar essa história com meus amigos e conterrâneos, como forma de mostrar a minha alegria por tê-la reencontrado e como forma de te homenagear e te agradecer por ter sido essa referência tão positiva na minha vida, justamente na minha transição da roça para o mundo acadêmico.
Quero visitá-la e te dar um abraço, na primeira oportunidade que tiver!
Obrigado, Professora!
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